Não tente me salvar

Não tente me salvar. Quero viver tudo que há para viver. Quero ter meus próprios erros sem me preocupar com quantidade. Quero, sobretudo, errar muito, tantas vezes precisar. Traçar o caminho invisível do meu sonho. Depois, pisar as pedras que houver para pisar. Quero ir fundo no fundo de tudo. Doer até a última veiaContinuar lendo “Não tente me salvar”

Crônica da Roça

Esperar que a comida mineira não tenha nunca gordura de porco é como pedir para um cozinheiro francês não usar manteiga, é tirar sua alma. Isso dito por alguém que não come nenhum tipo de carne ou derivados há mais de trinta anos pode parecer esquisito. Mas eu não vou reescrever a culinária tradicional, aoContinuar lendo “Crônica da Roça”

Tempo do Voo

Tem um momento na vida que a gente aprende a colocar paraquedas ao invés de deixar de saltar das alturas. A queda livre interminável, estonteante, desvirginal. A energia da terra entrando por suas narinas involuntariamente, afogando um pouco, quase morte. A vida vira de ponta-cabeça. Gira. Torna a girar. Enjoo. Vertigem. E por fim, oContinuar lendo “Tempo do Voo”

No Final do Mundo

No final do mundo nos encontraremos, com um pouco de sorte, com um sorriso no rosto. Sempre é muita sorte encontrar um sorriso no rosto quando o mundo acaba. Mas, se assim for, nosso encontro será diferente dos outros todos de nossas vidas, porque será definitivo. Nada é definitivo na vida, nada é tão supremoContinuar lendo “No Final do Mundo”

Roda D´água

Aqui perto tem uma mina d’água. Não estou com sede e tenho minha própria água, mas aqui perto, eu sei, tem uma fonte de água limpa e energizada pela natureza correndo e se ofertando, dando-se de graça. Ela está se perdendo? Correndo ininterruptamente, brotando da terra e escorrendo num fio que se encontra com outroContinuar lendo “Roda D´água”

Terra, divindade feminina

Temos tratado a Terra e a Natureza como “ela”, na terceira pessoa, distante de nós, considerando que “ela” componha somente a paisagem em torno, de quem vive no espaço rural, ou o imaginário de quem é urbano. Distante e separada, um tratamento de ausência permanente. Não nos damos conta, de ordinário, que somos a Terra,Continuar lendo “Terra, divindade feminina”